Restrição de veículos na Avenida da Liberdade garante boa qualidade do ar

O vereador da Mobilidade e Infra-estruturas Viárias na Câmara de Lisboa, Fernando Nunes da Silva, participou na abertura da 4ª Conferência da Mobilidade Urbana, que decorreu ontem no Museu do Design e da Moda (MUDE), em Lisboa, organizado pelo Jornal Arquitecturas. O autarca falou sobre a mobilidade em Lisboa, a poucas semanas de terminar o mandato na autarquia.

18.09.2013

Quais as principais medidas que marcaram o seu mandato?

As principais medidas foram as Zonas 30; a conclusão do Plano de Acessibilidade Pedonal, cuja concretização, não tenho dúvidas, vai ser a marca do próximo mandato, e a introdução das zonas de emissões reduzidas [ZER], um elemento importante porque, pela primeira vez, somos capazes de respeitar a lei da qualidade do ar na Avenida da Liberdade. Por outro lado, um conjunto de aspectos que têm que ver com a intermodalidade, como o sistema ‘Park and Ride’, e com os sistemas partilhados que estão em fase de protótipo e que vão avançar a curto prazo.

Também conseguimos quase quatro mil novos lugares [de estacionamento] para residentes, o que é muito importante. As pessoas ainda não se aperceberam disso porque grande parte deles foram por negociação com operadores já existentes que disponibilizaram 20 por cento de lugares a tarifas reduzidas para residentes. Outros foram intervenções em pequenas áreas da cidade.

As mudanças na zona do Marquês surtiram os efeitos desejados?

Sem dúvida nenhuma. O facto de termos posto as laterais a funcionar no sentido contrário tinha a ver com um problema técnico de que as pessoas não se aperceberam. O primeiro objectivo era que as laterais deixassem de funcionar como uma duplicação da faixa central e, de facto, conseguimos isso. Baixámos o tráfego cinco vezes. Tínhamos 500/600 veículos por hora nas laterais e, neste momento, temos entre 50 e 150. 

Por outro lado, só era possível fazer a ligação através de uma passadeira de peões protegida entre as placas centrais, se invertêssemos as laterais. Saindo da faixa central, virando à direita, não era possível ter espaço para a acomodação, para os peões poderem atravessar em segurança, o que fazia com que a faixa central ficasse congestionada. Ao fazermos o contrário, é possível atravessar em segurança. Se for hoje à Avenida da Liberdade vê imensa gente a atravessar e a fazer as ligações e as descidas e subidas na avenida pelas placas centrais, coisa que nunca tinha acontecido até agora. Foram estas as razões porque invertemos o sentido, para quem achou a mudança esquisita. É uma técnica usada em muitos países. Paris tem vários bairros onde isso funciona assim, precisamente porque é a única forma de garantir a circulação de peões e bicicletas em segurança.

Já foi instalado o Sistema de Fiscalização de Veículos Poluentes?

Não, porque continuamos à espera da autorização da Comissão Nacional de Protecção de Dados. Na Brisa, um dos aspectos que foi desenvolvido e que está a ser utilizado em grande parte dos sistemas de auto-estradas do país é o sistema de leituras de matrículas. Nós queríamos utilizar exactamente o mesmo sistema. Na Brisa é possível utilizar, na cidade de Lisboa não é possível. Estamos à espera da autorização.

Portugal arrisca multas da Comissão Europeia por ultrapassar os níveis de poluição?

Penso que não. Todos os dados que temos até agora, e porque a zona mais complicada era a zona da Avenida da Liberdade, apontam para, caso não haja alterações atmosféricas não habituais nesta época do ano, podermos, pela primeira vez, cumprir os limites impostos na Lei da Qualidade do Ar. Portanto, se isso acontecer, creio que ganhámos essa batalha.

Vanessa Pires

TAGS: vereador da Mobilidade e Infra-estruturas Viárias , Câmara Municipal de Lisboa , Fernando Nunes da Silva , 4ª Conferência da Mobilidade Urbana
Vai gostar de ver
VOLTAR