Nas cidades médias mais de metade usa o carro para se deslocar

Tendência é visível num estudo sobre mobilidade que vai ser apresentado a 5 de Junho, em Lisboa

08.05.2015

Nas cidades portuguesas de média dimensão mais de metade da população utiliza o carro para se deslocar. Esta tendência é visível pelos dados apurados no âmbito de recente projecto de investigação sobre padrões de mobilidade InLUT (Integration of Land Use and Transport in Medium-Sized Cities), que se debruçou sobre quatro cidades portuguesas médias - Vila Real, Castelo Branco, Santarém e Faro. As conclusões do projecto vão ser apresentadas no próximo dia 5 de Junho, na Biblioteca Nacional, em Lisboa, num seminário internacional.

 

Das quatro cidades estudadas, Santarém é a que regista maior nível de utilização do carro. Sessenta e dois por cento das deslocações são feitas de carro, esteja o cidadão na condição de condutor ou passageiro.

 

Em Vila Real o número de deslocações de carro atinge os 58,1 por cento. Castelo Branco chega os 54 por cento e Faro regista 50 por cento de viagens em automóvel.

 

Por contraponto, no que respeita a andar a pé, a campeã é Faro, com 37,1 por cento das deslocações a serem feitas desta forma. Segue-se Vila Real com 36,9 por cento, Castelo Branco com 35 por cento. Das quatro cidades estudadas, Santarém é aquela que regista menos deslocações a pé com 25,5 por cento.

 

As restantes formas de mobilidade são residuais nas quatro cidades médias em que incidiu o estudo. A minoria que escolhe usar os transportes públicos prefere o autocarro, que é mais usado em Castelo Branco (6,6 por cento), Santarém (6,1 por cento) e Faro (5,3 por cento) do que em Vila Real (2,6 por cento).

 

O comboio não é opção em Vila  Real (0 por cento), Faro (0,3 por cento) ou Castelo Branco (0,3) sendo apenas utilizado com alguma frequência em Santarém (2,4 por cento).

 

Realce ainda para o valor de 2, 3 por cento no uso de bicicleta e motociclos em Faro e de 1,3 por cento em Santarém quando nas restantes duas cidades esse valor não chega a um ponto percentual.

 

O estudo, que contou com o apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia e União Europeia, foi desenvolvido por investigadores da Universidade de Trás os Montes e Alto Douro (UTAD), Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa (FA-UL) e Universidade do Algarve (UAlg), que estudaram as interacções entre os usos do solo e transportes e a forma como estas se repercutem nos movimentos e padrões de mobilidade.

 

O projecto tem várias inovações, desde logo em termos conceptuais, já que “os estudos desenvolvidos ao nível internacional focam-se sobretudo em grandes áreas urbanas”, mas também porque em Portugal são poucos os estudos existentes ao nível destas matérias”, destaca o grupo de investigadores ao Jornal Arquitecturas. Por outro lado, as metodologias desenvolvidas são inovadoras a nível nacional e internacional e a comparação entre outras realidades internacionais já é possível.

 

A discussão sobre o tema vai realizar-se no seminário de dia 5 de Junho. A entrada é livre mas sujeita a inscrição nesta página. O Jornal Arquitecturas é media partner do evento e vai acompanhar o seminário.

 

Ana Santiago 

TAGS: InLut , estudo sobre mobilidade , cidades médias , Santarém , Vila Real , Faro , Castelo Branco , uso do carro , interior
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