Expedição a uma arquitectura intensiva de Susana Ventura vence prémio Fernando Távora

Mercado: Arquitecta traçou roteiro de espaços que causam sensação - do Japão à Finlândia

10.04.2014

A proposta «Expedição a uma arquitectura intensiva» da Arquitecta Susana Ventura venceu a 9ª edição do prémio Fernando Távora.

 

A escolha foi unânime entre os membros do júri presidido pela arquitecta Paula Santos (em representação da Ordem dos Arquitectos - Secção Regional do Norte) e constituído pelo escultor José Pedro Croft, arquitectos Pedro Bandeira, José António Bandeirinha (nomeado pela Casa da Arquitectura) e Maria José Ferrão (designada pela família do Arquitecto Fernando Távora).

 

Susana Ventura explica que a proposta «Expedição a uma Arquitectura Intensiva» nasceu de uma «vontade de procura e tentativa de definição de uma ‘categoria’ inexistente  em Teoria de Arquitectura», que denominou de arquitectura intensiva. «É aquela que contém um bloco de sensações e que, à semelhança da obra de arte, actua no sistema nervoso. Para além das funções, dos tipos, dos programas e dos ornamentos, a obra de arquitectura caracteriza-se pela capacidade de afectar (por vezes, de forma violenta) aqueles que a experienciam e habitam».

 

No entanto, ressalva, nem todas as obras de arquitectura podem considerar-se obras intensivas, pelo que «existe esta necessidade de visitar e partir da experiência empírica da obra, apreendê-la pelo tempo, pelo olhar e pelo andar, só possível quando se utiliza a sensibilidade como regulação de uma intuição que nasce da percepção e afecção da obra pela experiência do corpo».

 

As obras, que se propõem visitar, desenham uma linha que atravessa países como o Japão, Noruega, Suécia, Finlândia, República Checa, Áustria e Suíça, «grandes espaços vazios onde se identificam traços de expressão, linhas de força e vestígios de memórias, ritos e hábitos, qualidades atmosféricas, matérias sonoras, que ressoam nas obras que os souberam metamorfosear em sensações». Embora se identifiquem à partida obras que parecem deter já esse poder, como as de Shinohara ou Fujimori no Japão ou as da Trindade, que identificou na Europa Central e Fiordes, de Loos-Lewerentz-Zumthor, o processo nunca é o da «predeterminação, mas antes o de uma inquiteação. E a viagem tudo pode mudar».

 

O roteiro da viagem passará pelo Japão (Tóquio, Kamakura, Karuizawa, Kawaguchi, Tokamachi, Aichi), Noruega (Vardo), Finlândia (Helsínquia), Suécia (Estocolmo, Malmö), República Checa (Praga), Áustria (Viena), Suíça (Kreuzberg, Montreux).

 

Para o júri a proposta vencedora «revela clareza nos propósitos e consistência na proposta, capaz de unificar diferentes geografias e culturas. Referenciando distintos objectos arquitectónicos, propõe uma leitura temática capaz de construir uma narrativa inesperada. A viagem relaciona paisagens entre o Oriente e o Norte e Centro da Europa, e arquitectos modernos e contemporâneos».

 

Susana Ventura nasceu em Coimbra em 1978. É arquitecta, escritora, curadora, investigadora pós-doc e doutorada em Filosofia, especialidade de Estética, com a tese «O corpo sem órgãos da arquitectura».

 

Actualmente encontra-se a desenvolver o projecto de Pós-Doutoramento intitulado «Para uma arquitectura intensiva», na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP), sendo membro efectivo do centro de estudos da mesma (CEAU-FAUP) e é comissária da «Habitar Portugal 09_11», Selecção Ordem dos Arquitectos.

   

O Prémio Fernando Távora é anual e único. Consiste na atribuição de uma bolsa de viagem, no valor de seis mil euros, e de âmbito nacional, destinado a todos os membros efectivos da Ordem dos Arquitectos. Instituído em homenagem ao arquitecto Portuense, figura referência da arquitectura portuguesa pela sua actividade enquanto arquitecto e pedagogo.

 

O prémio é organizado pela OASRN em parceria com a Câmara Municipal de Matosinhos e a Associação Casa da Arquitectura (ACA), contando com o patrocínio da AXA.

 

A.S.

TAGS: Susana Ventura , Prémio Fernando Távora
Vai gostar de ver
VOLTAR