Consumidores ainda não valorizam classe energética na habitação, diz Teresa Neto (ISEP)

Exigência é vista apenas como mais um “elemento de burocracia”

30.10.2014

A classe energética das habitações é um critério que ainda não é valorizado pelos consumidores na hora de comprar ou alugar casa. A opinião é da professora adjunta do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP), Teresa Neto, que é também formadora de peritos do sistema de certificação energética – REH (Regulamento de Desempenho Energético dos Edifícios de Habitação).

 

“As pessoas só se lembram do certificado energético quando vão fazer o contrato de promessa de compra e venda ou o contrato de arrendamento. É entendido não como um elemento na decisão da aquisição de habitação, mas como um elemento ao nível de burocracia”, sublinhou em declarações ao Ambiente Online à margem das “2ªs Jornadas da Especialização em Direcção e Gestão da Construção – Engenharia Civil – Os Novos Desafios”, que decorreu esta quinta-feira no auditório da Ordem dos Engenheiros, em Lisboa.

 

O novo certificado energético, obrigatório mesmo quando se promove um imóvel, tem classes que oscilam entre o A+ (mais eficiente) e o F (menos eficiente). O REH (DL 118/2013) impõe que os edifícios novos se enquadrem entre as classes A+, A, B ou B-. Nas grandes reabilitações também há metas a cumprir embora não sejam tão exigentes como nos edifícios novos tendo que assegurar no mínimo a classe C.

 

“Todos os outros edifícios para serem alugados ou vendidos também têm que ter um certificado energético mas não têm que cumprir absolutamente nada se não forem alvo de intervenções. Este certificado deveria dar alguma informação ao consumidor, mas que neste momento é só mais um papel de que precisam na altura de efectuar um contrato”, lamenta.

 

Teresa Neto defende a realização de uma campanha de sensibilização para alertar os consumidores a importância da eficiência energética.

 

A exigência em termos de eficiência energética implica o incremento das espessuras do isolamento térmico ao nível da envolvente. “Soluções construtivas que eram admissíveis até há um atrás neste momento vão deixar de ser válidas para conseguirmos cumprir a legislação. A lógica é que à medida que o tempo vai passando as soluções construtivas possam ser cada vez mais eficientes através da implementação de sistemas construtivos com espessuras de isolamento térmico cada vez maiores”.

 

Quanto mais rigoroso for o clima melhores terão que ser as soluções construtivas. Em Portugal, dividido em três zonas climáticas, soluções que podem ser admissíveis para uma zona climática podem não ser admissíveis para outra. “Um projecto não pode ser igual para qualquer ponto do país”, lembra.

 

Para a zona climática 3 (mais fria), se antes se exigia uma espessura de paredes exteriores na ordem dos quatro centímetros, em 2016 essa imposição será de nove centímetros. Para a zona 1 (mais quente) a exigência passa de dois para seis, ilustrou Teresa Neto na apresentação “A Sustentabilidade como mais-valia- uma abordagem do ponto de vista da Física das construções”

 

Segundo a legislação em vigor o conceito de edifício com necessidades quase nulas de energia passará a constituir o padrão para a nova construção a partir de 2020, ou de 2018, no caso de edifícios novos de entidades públicas, bem como uma referência para as grandes intervenções no edificado existente.

 

Ana Santiago

TAGS: eficiência energética , certificado energético , Teresa Neto , REH - Regulamento de Desempenho Energético dos Edifícios de Habitação
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